O setor de alimentos industrializados brasileiro registrou retração em agosto, reflexo direto da entrada em vigor da tarifa adicional de 50% nos Estados Unidos. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), as exportações somaram US$ 5,9 bilhões, queda de 4,8% em relação a julho e de 1% frente ao mesmo mês de 2024.
Em julho, os embarques aos EUA haviam antecipado o movimento para evitar o impacto da tarifa, o que resultou em um pico nas exportações. Já em agosto, as vendas recuaram fortemente: de US$ 460 milhões para US$ 332 milhões, queda de quase 28% em apenas um mês.
Impactos por produto:
Açúcares: retração de 82% na comparação anual, praticamente zerando as vendas para os EUA.
Proteínas animais: queda de 43% em um ano, refletindo perda de competitividade.
Preparações alimentícias: -37% em relação a julho, embora tenham crescido 13% frente a 2024.
Exceções: suco de laranja (fora da sobretaxa) e óleos/gorduras, que mostraram resiliência.
Apesar da queda para os EUA, a China ampliou sua participação e consolidou-se como o principal destino das exportações brasileiras, com US$ 1,32 bilhão em agosto (+51% na comparação anual). O México também ganhou destaque, com crescimento expressivo de proteínas animais.
A ABIA estima que, até dezembro, as exportações para os EUA dos produtos atingidos pela tarifa podem cair até 80%, o que representaria uma perda de US$ 1,35 bilhão.
Cenário geral do setor
Mesmo com os desafios, a indústria de alimentos mantém um desempenho positivo no acumulado de 2025. Até julho, o faturamento do setor alcançou R$ 780 bilhões, crescimento nominal de 10,2% frente ao ano anterior, sustentado pelo dinamismo do mercado interno, geração de empregos e base exportadora diversificada.
Conclusão
O recuo das vendas aos EUA expõe a necessidade urgente de diversificação de mercados e negociação de melhores condições de acesso. Ao mesmo tempo, a expansão para China e México mostra que existem caminhos para compensar perdas e fortalecer o setor no médio prazo.